segunda-feira, 25 de outubro de 2010

“Liquidamente sólidos”


Hoje eu estava refletindo sobre a minha vida e noto que sou uma “visitante” em qualquer lugar que eu vou. Tenho tantas atividades que ficar muito tempo em um lugar é quase impossível.
Bom, mas esse não é só o meu estilo de vida, se é que pode ser chamado assim, mas sim o reflexo da rotina pós-moderna.
MSN, Facebook, Blog, Orkut, entre outras redes sociais, essa é a atual forma predominante de se socializar, para os que não têm muito tempo para bater aquele velho papo na esquina. Hoje não nos olhamos nos olhos, olhamos a tela do computador, não mais falamos e somos ouvidos, mas escrevemos e somos lidos, ou melhor, nem “falamos”, twittamos, hoje somos quem e como quisermos ser em qualquer lugar de um mundo paralelo que se formou e que já se mesclou com o nosso mundo real há muito tempo.
Real ou virtual?
Fico pensando até onde podemos delimitar o mundo real e o virtual. Onde seríamos mais reais, mais nós mesmos, na internet ou no dia a dia?
Por incrível que pareça o mundo virtual nos torna mais reais, em alguns casos. Pois lá algumas pessoas são o que são, sem intimidações e repressões. São quem são, para quem quiserem ser. Afinal, na internet podemos delimitar nossos contatos sociais, só faz parte do “meu mundo” quem eu quero que faça.
Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a vejo como um muro que se forma, pois atualmente as pessoas precisam de um meio para serem quem de fato são e antes não era assim que o processo social se constituía.
Talvez alguns pensem ser mais desafiante viver em uma época onde as pessoas tinham que, predominantemente, se relacionar pessoalmente e não podiam fazer uma escolha tão seletiva das pessoas que compunham suas redes sociais, como hoje. Mas, também é desafiante saber que você pode desfrutar dessas duas realidades atualmente, e que elas podem se mesclar até onde você permitir que isso aconteça.
Ao mesmo tempo o tradicionalismo caminha de mãos dadas com a nossa nova forma de ver o mundo. Somos seres híbridos, com características ambivalentes, eu diria, com perdão da expressão, que somos “liquidamente sólidos”.
Logo, estamos imersos em paradoxos, desconstruí-los e refazê-los faz parte de um jogo que a cada dia aprendemos mais a jogar, chamado pós-modernidade.

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