sábado, 4 de dezembro de 2010

Análise do digital



            Para um grupo de teóricos, a cultura midiática pode servir como um meio de maior massificação, mas como diz Lúcia Santaella “o crescimento da multiplicidade de mídias, deu margem ao surgimento de receptores mais seletivos”.
            Com a cultura digital essa teoria foi sacramentada!
            Atualmente não recebemos a informação de um mesmo formato e meio, mas recebemos a mesma informação de meios e linguagens diferentes, além de selecionarmos individualmente o que é do nosso interesse se apropriar.
             Constituímos uma relação peculiar com o meio digital, nós tentamos traduzí-lo e somos traduzidos por ele. Neste contexto se dá a interface, ou seja, o contato entre o homem, tal meio e o máximo possível de transcrição do complexo ser humano em um mundo navegável, o ciberespaço.
            Tentamos traduzir o ciberespaço na medida em que tentamos nos adequar a ele, buscando conviver e nos relacionar com pessoas do mundo inteiro que podem ou não ser reais. Afinal de contas, trata-se de um lugar onde personalidades podem ser construídas e desconstruídas na velocidade de um click.
 A cyber-realidade passa a ser um jogo de controvérsias, pois há a presença de paradoxos constantes , como comunidades virtuais e comunidade locais, proximidade física e interdependência mútua, medo da ausência do humano  quando nos encontramos na telepresença, entre outros.
            Observamos o advento de realidade virtual, que segundo Lúcia Santaella, em Culturas e artes do pós-humano, 2003:

“É a idéia de imersão, usando estereoscopia, mediação da direção dos olhos e outras tecnologias para criar a ilusão de estar dentro de uma cena gerada pelo computador. É a idéias de navegar, criando um modelo computacional.”

                                                    

            Na fase do ciberespaço, a comunicação mediada por computador, permitiu a formação de comunidades virtuais, onde pessoas do mundo inteiro se relacionam por meio de uma forma de mídia, se socializam preservando o individualismo.
            A efemeridade das relações passa a se tornar bem característica do momento vivido. A socialização digital se dá a todo o momento e em qualquer lugar, facilitada por dispositivos móveis, como aparelhos de bolso.
            Estar conectado é muito mais do que um capricho, mas é uma necessidade em todos os sentidos. A internet agora é uma extensão das relações humanas, sejam elas de trabalho, estudo ou mesmo sociais, a vida virtual também passou a ser um ponto importante da vida real.
            A interatividade chegou a tanto, que a coqueluche do momento é mesclar a personalização dos computadores com o espírito coletivo que a TV traz. Para isso, surgiu a idéia da TV interativa ou digital, que promete ligar indivíduos, com necessidades pessoais e, ao mesmo tempo, com mentes coletivas.      

            Paralelo a essa realidade, um convívio social se efetua, as antigas aldeias sociais são também sinônimos de comunidades virtuais. A sensação de pertencimento, a necessidade de identidade também existe no mundo virtual, mesmo que tudo se dê no nível da abstração. Pessoas de todas as partes do globo se reúnem e coabitam entre si, unidas por um caractere ou muitos em comum.
            Negros, brancos, judeus, índios, criam a ilusão da unidade global, pois todos podem ser “amigos de comunidade”, mas não necessariamente a amizade tem que alcançar meios concretos.
            É tudo muito abstrato e escorre as mãos, em meio ao mundo pós- moderno não há parâmetros exatos, mas há possibilidades bem flutuantes.
            Entretanto, taxar a cultura digital como benéfica ou maléfica é um equívoco, afinal ela mesma nos mostrou que a hibridização constitui-se no seu melhor reflexo.

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