Viver em um mundo cibernético é um dos desafios dos jovens desta era, ou mesmo, se mostra como uma facilidade dependendo do ponto que de vista. Inseridos no contexto de realidades virtuais, fácil adaptação, descartabilidade e instantaneidade, a juventude que convive com esse turbilhão de transformação sofre mudanças psicológicas e sociais, ao estar inserida neste meio.
Antes do contato com o computador, as relações se davam de forma mais sólidas e pessoais, as conversas não tinham mediadores, mas se davam face a face e expunham as tão exaltadas regras morais da sociedade. Existiam formas de proceder que eram disseminadas e consistentes, passadas de geração em geração.
Com o advento da internet, as relações sociais, a forma de pensar e todas as ideologias, se transformaram causando um impacto no jovem que cresceu em meio ao ciberespaço.
As empresas de comunicação fizeram da cultura digital um negócio rentável e promissor, alimentado pelo consumo de pessoas que anseiam a cada segundo pelo novo.
Mídias móveis passaram a suprir uma necessidade cada vez mais notável, a necessidade de pertencimento. As pessoas sentem a necessidade de estarem no ciberespaço, porque ele transpassou todas as barreiras do trabalho ou entretenimento, ele se tornou tudo em um só lugar, de forma prática e ao alcance dos dedos.
Entretanto, a sociedade sofreu modificações comportamentais quanto a isso, principalmente os jovens que cresceram com os dedos no teclado de um computador.
O adolescente de hoje chega a fazer bem mais parte do universo digital do que do universo real, transpondo quaisquer fronteiras entre os dois, ambos se mesclam. Mas, paradoxos são analisados se comparados com os adolescentes de épocas mais distantes. Se antes se desafiava os limites, hoje não é necessário, pois eles não existem. Hoje há simultaneidade, o anonimato dá a possibilidade de se relacionar e continuar invisível, a identidade passa a ser virtual, existe acesso fácil ao proibido, muitas leis dentro do mundo virtual não são aplicadas ou fiscalizadas.
O sentimento de pertencer a um grupo ainda é latente no adolescente, mas agora ele se filia a comunidades virtuais e faz delas seus pontos de encontro, sem necessariamente criar ligações mais fortes com os membros que a compõe.
E essa realidade se torna cada vez mais alarmante, como comprova o Ibope:
Um monitoramento mensal constatou que no mês de maio a navegação através de banda larga (transmissão rápida) triplicou desde 2005. Segundo o Comitê Gestor da Internet, 2008, mais de 50% dos domicílios com acesso a internet possuem banda larga, um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Partindo-se desse pressuposto, há de se levar em consideração a importância que deve ser dada à construção social de um indivíduo imerso em tal espaço desde o nascimento. Os pontos negativos e controversos do ciberespaço também devem ser analisados e, assim como o mundo digitalizado, não deve ser encarado com superficialidade, mas de forma profunda, para que os papéis não se invertam e as gerações futuras tornem-se extensões das máquinas, e não o inverso.
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