Os fluídos não vão se prender no tempo ou no espaço e estarão dispostos a mudanças, adaptando-se perfeitamente a elas, em meio a uma realidade imediata e obsoleta, por isso o ciberespaço é o meio perfeito para que convivam e explorem.
“Cada vez menos a comunicação está confinada a lugares fixos, e os novos modos de telecomunicação têm produzido transmutações na estrutura da nossa concepção cotidiana do tempo, do espaço, dos modos de viver, aprender, agir, engajar-se, sentir, reviravoltas na nossa afetividade, sensualidade, nas crenças que acalentamos e nas emoções que nos assomam.”
Tal conceito permite-nos rememorar outro, o dos não lugares, ou seja, espaços vazios que não se atribuem significados e que não precisam ser delimitados fisicamente por barreiras ou fronteiras. É neles que se dão as experiências, onde estranhos se encontram, e se relacionam de forma rápida e sem envolvimento profundo, manifestando o desejo por continuar só e pelo individualismo da vida pós-moderna.
Junto com a simultaneidade de informações, criou-se a necessidade de se fazer notável em meio a um mundo descartável e obsoleto, por isso aprendemos a dizer o que estamos fazendo a todo o momento e saber o que os outros fazem ,aprendemos a twittar, a seguir blogs, a visitar orkuts e atualizar posts. Fizemos da internet um meio de mostrar certa notoriedade em um mundo onde somos cada vez mais passageiros.
Mesmo em um momento tão diverso de qualquer outro já vivido no decorrer da história, ainda temos as mesmas necessidades sociais, só que agora nos habituamos com facilidade a manusear as ferramentas que nos estão dispostas.
As necessidades humanas são as mesmas, mas as formas de se lhe dar com elas são outras, grandemente influenciada pela abstração pós-moderna advinda com a rede virtual.
Até nossos relacionamentos afetivos são mediados pela internet, mostrar suas fragilidades e expor-se é um preço muito elevado a se pagar, na era do descartável não há tempo para conhecer o outro de forma profunda, há apenas tempo para observar os detalhes mínimos, que permitam uma pequena identificação. Após os relacionamentos instantâneos, a era do obsoleto, mostra não descartar apenas objetos, mas também pessoas.
Variadas vezes vemos mais o simulacro do outro do que a sua forma real e concreta. E, para alguns, o simulacro se torna mais importante do que a imagem real, afinal a socialização é mais recorrente em ambiente virtual.
Somos mesclas, como todos os nossos antepassados, temos um pouco de modernos e pós-modernos, a única coisa que diferiu no decorrer do tempo foi o que deixamos falar mais alto.
No caso da era digital, não há espaços para inflexibilidades, ao contrário, há espaço para agregações e agregados, para todos aqueles que querem fazer desse meio um lugar mais eclético e múltiplo, passível de ser consumido por todos os seus usuários: os fluídos.
